|
AGORA QUE EU ESTOU SALVO
INTRODUÇÃO
Alguém conduziu-o ao Senhor Jesus Cristo, e foi salvo dos seus
pecados. Naturalmente você está muito entusiasmado e cheio de
alegria, mas não sabe muito sobre o que lhe aconteceu, nem o que é
esperado de você agora que crê. O que expomos a seguir será útil
como uma espécie de manual de ajuda para você, como novo crente.
Nele, responderemos às seguintes perguntas:
•
No que eu cri?
•
O que me aconteceu quando eu cri?
•
Porque devo servir o Senhor, agora que eu creio?
•
Como devo servir o Senhor, agora que eu creio?
•
Como devo lidar com o pecado, agora que eu creio?
•
Como devo lidar com a adversidade, agora que eu creio?
•
O que o futuro me reserva, agora que eu creio?
No
que eu cri?
Todo crente verdadeiro foi salvo dos seus pecados por ter crido em
algumas verdades simples da Bíblia:
1.
Eu sou pecador.
A
Bíblia diz que "todos pecaram" (Romanos 3:23), e que "não
há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque"
(Eclesiastes 7:20). Basta cometer um único assassinato para uma
pessoa tornar-se assassina, e basta cometer um só pecado para alguém
tornar-se pecador.
2.
O pecado produz conseqüências eternas.
A
Bíblia diz que "o salário do pecado é a morte" (Romanos
6:23), e que "o pecado, sendo consumado, gera a morte" (Tiago
1:15). Nós sabemos que estes versículos implicam mais do que a mera
morte física, pois Ezequiel 18:4 diz que "a ALMA que pecar, essa
morrerá." Apocalipse 21:8 também declara que todos os
pecadores que morrem sem Cristo, "a sua parte será no lago que
arde com fogo e enxofre; o que é A SEGUNDA MORTE". Todos os
pecadores merecem morrer uma morte espiritual eterna, do mesmo modo
que a morte física, por causa dos seus pecados.
3.
Cristo morreu pelos meus pecados.
Apesar de sermos pecadores e merecermos morrer uma morte eterna por
causa dos nossos pecados "Cristo morreu pelos nossos pecados"
(I Coríntios 15:3). Nós sabemos que Ele morreu tanto física como
espiritualmente porque Isaías predisse que Deus colocaria "A SUA
ALMA... por expiação do pecado" (Isaías 53:10). Ele "por
nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação"
(Romanos 4:25) quando Ele levou "Ele mesmo em Seu corpo os
nossos pecados sobre o madeiro" (I Pedro 2:24).
4.
Eu fui salvo ao crer que Cristo morreu pelos meus pecados.
O
Senhor Jesus morreu pelos "pecados... de todo o mundo" (I
João 2:2), mas isso não quer dizer que todo o mundo seja salvo. A
salvação é oferecida "a todos" mas só vem "SOBRE todos os
que CRÊEM" (Romanos 3:22). Assim, apesar de Cristo ser "o
Salvador de todos os homens," Ele é "principalmente" o
Salvador "dos que crêem" (I Timóteo 4:10). O Evangelho é
"o poder de Deus para salvação" somente "de todo aquele que
crê" (Romanos 1:16). Nós somos "justificados pela fé"
(Romanos 5:1) e tornamo-nos "filhos de Deus" apenas "pela
fé em Cristo Jesus" (Gálatas
3:26).
É
claro que quando falamos de fé, não basta simplesmente "crer em
Deus", pois "também os demônios o crêem, e estremecem" (Tiago
2:19). Quando Paulo diz, "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás
salvo," ele quer dizer que devemos ter "fé no seu sangue"
(Romanos 3:25). Efésios 2:8 diz, "Porque pela graça sois salvos,
por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus."
5.
Não fui salvo pelas boas obras.
Atos 16:31 não diz, "Crê e tenta ser bom e serás
salvo." Diz simplesmente "crê... e serás salvo." A salvação
não é "pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo
a sua misericórdia, nos salvou" (Tito 3:5). Deus diz que
"àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a
sua fé lhe é imputada como justiça" (Romanos 4:5). Não há uma
única coisa que possamos fazer que agrade a Deus. Ele "nos
salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras,
mas segundo o seu próprio propósito e graça" (II Timóteo 1:9).
Portanto, a salvação "não vem das obras, para que ninguém se
glorie" (Efésios 2:9).
6.
Não fui salvo por cumprir os Dez Mandamentos.
Os
Dez Mandamentos eram apenas parte da Lei de Moisés, uma lei para
cumprir que continha 613 mandamentos! Quando Deus deu estes
mandamentos, Ele exigiu que os homens guardassem "TODOS os seus
estatutos" (Êxodo 15:26; Levítico 20:22) e "TODOS os seus
mandamentos" (Deuteronômio
13:18; 26:18), e pronunciou uma "maldição" sobre "todo
aquele que não PERMANECER em TODAS as coisas que estão escritas no
livro da lei, para fazê-las" (Gálatas 3:10). A Lei exigia 100%
de obediência – 100% do tempo! É por isso que "qualquer
que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado
de todos. Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também
disse: Não matarás. Se tu pois não cometeres adultério, mas matares,
estás feito transgressor da lei" (Tiago 2:10-11).
Visto que todos nós transgredimos pelo menos um dos mandamentos de
Deus, sabemos "que o homem não é justificado pelas obras da lei"
(Gálatas 2:16), "e é evidente que pela lei ninguém será
justificado diante de Deus" (Gálatas 3:11). "Concluímos,
pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei"
(Romanos 3:28). Mas louvado seja o Senhor que, "o que era
impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus,
enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado
condenou o pecado na carne" (Romanos 8:3). E, portanto, lemos
que "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição
por nós" (Gálatas 3:13), e "de tudo o que, pela lei de
Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo
aquele que crê" (Atos 13:39).
O
Que Me Aconteceu Quando Eu Cri?
1.
Fui perdoado de todo o meu pecado, passado, presente e futuro.
Agora que você crê, sabe que Deus perdoou-nos "todas as
ofensas" (Colossenses 2:13). O Apóstolo Paulo declara que
"Deus [nos] perdoou em Cristo" (Efésios 4:32), e portanto, em
Cristo "temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas
[ou, perdão dos pecados]" (Efésios 1:7; Colossenses 1:14).
2.
Eu fui justificado aos olhos de Deus.
Nas Escrituras, a palavra "justificar" significa "tornar justo." A
Palavra de Deus diz que nós somos "justificados gratuitamente
pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Romanos
3:24), e que "tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos
por ele salvos da ira" (Romanos 5:9). Paulo assegura-nos que
somos "justificados em nome do Senhor Jesus" (I Coríntios
6:11), e que "sendo justificados pela sua graça, [somos] feitos
herdeiros segundo a esperança da vida eterna" (Tito 3:7).
3.
Recebi a vida eterna.
"O
dom de Deus é a vida eterna"
(Romanos 6:23), pois "por um só ato de justiça veio a graça sobre
todos os homens para justificação de vida" (Romanos 5:18). Todos
os que crêem em Cristo "[crêem] Nele para a vida eterna" (I
Timóteo 1:16) e tornam-se "herdeiros segundo a esperança da vida
eterna" (Tito 3:7).
4.
O Espírito
Santo
de Deus passou a habitar em mim.
Falando aos crentes, Paulo diz que "Deus enviou aos vossos
corações o Espírito de seu Filho" (Gálatas 4:6) e portanto agora
o Espírito "habita em nós" (II Timóteo 1:14; Romanos 8:9,11).
A Sua presença dentro de nós é o sinal do que Deus fez em nós e
revela que Ele está tão empenhado em remir os nossos corpos como as
nossas almas.
Paulo declara que o Espírito "é o penhor da nossa herança, para
redenção da possessão adquirida" (Efésios 1:14).
Esta
bênção vem com a obrigação moral e espiritual de sermos anfitriões
devotos do Convidado Real dentro de nós. O Apóstolo Paulo perguntou
aos coríntios, que não estavam vivendo de uma forma piedosa: "não
sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em
vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque
fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso
corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" (I
Coríntios 6:19-20).
5.
Fui batizado na verdadeira Igreja invisível, universal, "a igreja
que é o Seu Corpo" (Efésios 1:22-23).
Paulo diz que nós fomos "batizados em Cristo" (Romanos 6:3).
Este batismo não tem nada a ver com água. Nas Escrituras a palavra
"batismo" fala de identificação. Cristo
identificou-se como Messias quando foi batizado na água (João
1:31-33). Mas mais tarde chamou à Sua morte um batismo (Lucas 12:50)
porque na Cruz Ele foi "contado com os transgressores", isto
é, identificou-se com os pecadores quando levou os nossos pecados
(Isaías 53:12; cf. Marcos 15:27-28). Quando Deus olhou para Cristo
no Calvário, Ele não viu o Seu Filho, mas viu a nós nos nossos
pecados, e derramou a Sua ira sobre eles. E agora o nosso batismo em
Cristo identifica-nos com Ele. Agora, quando Deus olha para nós, Ele
não nos vê nos nossos pecados. Ele vê Cristo na Sua justiça. II
Coríntios 5:21 coloca as coisas nestes termos: "àquele que não
conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos
justiça de Deus."
Assim, o nosso batismo em Cristo é um batismo espiritual:
"Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um
Corpo" (I Coríntios 12:13). Enquanto Deus requereu batismo
físico e circuncisão física ao Seu povo de Israel, aos membros do
Corpo de Cristo Deus dá uma circuncisão espiritual (Colossenses
2:11) e batismo espiritual (Colossenses 2:12). Este batismo
torna-nos "membros do seu Corpo" (Efésios 5:30).
6.
Fui tornado eternamente seguro, em Cristo.
"Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si
mesmo"
(II
Timóteo 2:13), e como membros do Seu corpo nós somos membros Dele.
Agora que somos parte do Seu Corpo, nada "nos poderá separar do
amor de Deus" (Romanos 8:39), pois "aquele que em vós
começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Filipenses
1:6). Na Bíblia, os espirituais efésios e pecaminosos coríntios são
ambos chamados "santos" (I Coríntios 1:2; Efésios 1:1) e é
dito que ambos estão "selados com o Espírito Santo da promessa"
(Efésios 1:13; II Coríntios 1:22). A nossa salvação repousa não
no que nós fazemos, mas no que Cristo fez no Calvário.
Porque Devo Servir O Senhor,
Agora Que Eu Creio?
1. Se
estou salvo e eternamente seguro, não posso viver como me agrada?
Sim, mas
ao crescermos na compreensão do que Deus fez por nós em Cristo, a
forma como vivermos mudará. Quando o Senhor Jesus curou um cego, Ele
disse-lhe: "Vai", mas em vez dele ir lemos que ele "seguiu
a Jesus pelo caminho" (Marcos 10:52). Visto que ele
tomou consciência
do que o Senhor fizera por ele, o caminho do Senhor tornou-se no
seu caminho. O mesmo é verdade conosco. Logicamente
o
reconhecimento de tudo o que o Senhor fez por nós é-nos revelada,
gradualmente, ao estudarmos a Palavra. E quanto mais crescemos
neste conhecimento, mais iremos querer abandonar os nossos velhos
caminhos e seguirmos os Seus.
2.
Eu não quero abusar da graça de Deus.
Falando dos pecados da carne (Efésios 5:1-5), Paulo diz: "Ninguém
vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de
Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais seus
companheiros" (v.6-7). Um dia a ira de Deus cairá sobre os
incrédulos por causa do pecado deles. Só porque somos livres da
condenação do inferno como filhos de Deus salvos e seguros, não
devemos presumir
a graça de Deus e continuar a participar do pecado com os
incrédulos. Brasília está cheia de embaixadores estrangeiros que
usufruem de "imunidade diplomática" em relação às nossas leis; eles
não podem ser processados judicialmente pelos nossos tribunais por
as terem violado. Apesar disso, quando um diplomata que dirigia com
excesso de velocidade provocou a morte de uma menina há alguns anos,
houve justa indignação por parte da população. Como ele podia violar
as nossas leis de modo tão
descarado
só
porque estava imune à justiça dos nossos tribunais? Como crentes,
devemos sentir a mesma indignação ao pensarmos em pecar contra o
nosso Deus Salvador só porque não podemos nunca ser julgados pela
Sua justiça. Devemos recusar firmemente ceder aos mesmos pecados
pelos quais Cristo morreu, e devemos pensar refletidamente sobre a
nossa resposta à pergunta levantada por Deus: "Porventura
furtareis, e matareis, e adulterareis, e jurareis falsamente, e
queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não
conhecestes, e então vireis, e vos poreis diante de mim nesta casa,
que se chamapelo meu nome, e direis: Fomos libertados para fazermos
todas estas abominações?" (Jeremias 7:9-10).
3.
Eu quero servir o Senhor, agradecido por Ele me ter salvo.
Nós não servimos o Senhor para tentarmos convencê-Lo a salvar-nos
dos nossos pecados. Nós servimos o Senhor porque Ele já
nos salvou dos nossos pecados. Paulo diz que "o amor de Cristo
nos constrange" a servi-Lo, agradecidos por Ele nos ter salvo
por graça, por meio da fé (II Coríntios 5:14). Ele acrescenta que,
"Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para
si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (v.15). É
apenas lógico, razoável, "racional" que vivamos para Aquele
que morreu por nós e apresentamos os nossos corpos num
"sacrifício vivo" para o serviço Daquele que apresentou por nós,
no Calvário, o Seu corpo num sacrifício (Romanos 12:1-2).
Como
Devo Servir O Senhor,
Agora Que Eu Creio?
1.
Devo ser batizado na água?
Apesar de muitos pastores dizerem que "sim", o Apóstolo Paulo diz
que "não". O batismo na água, no passado, foi parte do programa de
Deus para o Seu povo Israel, mas não faz parte do programa de Deus
para o Seu povo hoje, o Corpo de Cristo.
Sempre que as Escrituras nos falam no propósito do batismo,
dizem que é "para a remissão dos pecados" (Marcos 1:4; Lucas
3:3; Atos 2:38). O próprio Senhor insistiu, ao dizer, "Quem crer
e for batizado será salvo" (Marcos 16:16). Contudo, depois de
Israel ter rejeitado o seu Rei, o Senhor levantou o Apóstolo Paulo,
e tornou-o no "apóstolo dos gentios" (Romanos 11:13). Este
novo apóstolo declarou, "Cristo enviou-me, não para batizar"
(I Coríntios 1:17), e disse em seguida, "sede meus imitadores,
como também eu de Cristo" (I Coríntios 4:16; 11:1).
O
batismo na água é uma obra; é algo que nós podemos fazer,
e Paulo insiste que hoje a salvação "não [é] pelas
obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua
misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração" – não
pela lavagem do batismo na água (Tito 3:5). Paulo ensina que nós não
necessitamos do batismo na água, "pois todos nós
fomos batizados em um Espírito, formando um corpo" (I Coríntios
12:13).
Este batismo espiritual ocorreu no momento que fomos salvos, e nós
agora estamos "completos nele" (Colossenses 2:10),
completamente circuncidados com uma circuncisão espiritual (Colossenses
2:11), e completamente batizados com um batismo espiritual (Colossenses
2:12). Paulo afirma depois que, embora haja na Bíblia muitos
diferentes tipos de batismo (Mateus 3:11; I Coríntios 10:1-2), no
programa de Deus para hoje, há apenas "um só batismo"
(Efésios 4:5), referindo-se, logicamente, ao nosso batismo
espiritual em Cristo. As palavras "um só batismo" não deixam espaço
para um batismo adicional com água.
É
ensinado, muitas vezes, que apesar do batismo hoje não nos salvar, é
um testemunho da salvação. Porém, as Escrituras não ensinam isto.
Hoje, o batismo na água é apenas um mau testemunho, pois
declara
que as pessoas que se batizam não compreendem que estão completas em
Cristo sem o batismo na água.
2.
Devo começar a estudar a Bíblia.
A
Bíblia é a Palavra de Deus: "Toda a Escritura é divinamente
inspirada" (II Timóteo 3:16-17). Como foi escrita? "Homens
santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pedro
1:21). "O Espírito do Senhor falou por mim," disse Davi dos
seus escritos, "e a sua Palavra está na minha boca" (II
Samuel 23:2). A Palavra de Deus tem o poder de purificar os nossos
caminhos (Salmo 119:9) para não pecarmos contra Ele (Salmo 119:11).
Fortalece-nos como crentes (Salmo 119:28) e dirige os nossos passos
(Salmo 119:105). Fornece-nos exemplos (I Coríntios 10:11) e dá-nos
esperança (Romanos 15:4). É "proveitosa para ensinar, para
redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem
de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa
obra" (II Timóteo 3:16-17). Deus
engrandeceu
a Sua
Palavra acima do Seu próprio nome (Salmo 138:2), portanto, devemos
dizer com Jó: "as palavras da sua boca guardei mais do que a
minha porção [comida]" (Jó 23:12). Nós devemos ler a
Palavra de Deus (I Timóteo 4:13), meditar nela (I Timóteo
4:15) e estudá-la (II Timóteo 2:15).
II Timóteo 2:15 também diz que quando estudamos a Palavra de Deus
devemos "manejá-la [dividi-la] bem". É aqui que encontra-se a
chave da compreensão da Bíblia. Apesar de toda a Escritura ser
"proveitosa" para nós estudarmos (II Timóteo 3:16), muito das
Escrituras contém instruções específicas para o povo de Israel. A
porção do Velho Testamento das nossas Bíblias contém mandamentos
para Israel no passado, enquanto que os livros do Novo Testamento,
que nãosão
escritos pelo Apóstolo Paulo, foram escritos tendo em vista Israel
no futuro. A menos que separemos estas instruções das instruções
dirigidas a nós, gentios, pelo nosso Apóstolo Paulo (Romanos 11:13;
15:16), a palavra de Deus pode tornar-se muito confusa e não
proveitosa.
Uma demonstração simples da necessidade de se manejar [dividir] bem
a Palavra de Deus pode ser vista nos diferentes mandamentos da
Bíblia relacionado com algo tão básico como a nossa alimentação.
Deus disse a Adão que ele só podia comer vegetais (Gênesis 1:29),
mas depois acrescentou carne à alimentação do homem (Gênesis 9:3).
Então, mais tarde, sob a Lei de Moisés, Deus disse a Israel "para
fazer diferença entre... animais que se podem comer e os animais que
não se podem comer" (Levítico 11:47). Mas posteriormente,
séculos mais tarde, quando Pedro recusou, corretamente, comer carne
imunda, Deus alterou novamente a alimentação do homem (Atos
10:9-14), explicando-nos por meio de Paulo que "toda a criatura
de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações
de graças" (I Timóteo 4:4). Semelhantemente, a Lei proibia comer
carne sacrificada aos ídolos (Êxodo 34:14-16), mas Paulo ensinou que
para nós, hoje, isto não é um pecado (I Coríntios 8:1-13; 10:23-33).
Entretanto, no futuro, o povo de Israel será novamente proibido de
comer tal comida (Apocalipse 2:20).
Uma vez que é impossível obedecer a todos estes diferentes
mandamentos ao mesmo tempo, é imperativo determinar quais
destes mandamentos Deus quer que nós hoje obedeçamos. E visto
que há muitos outros casos em que as Escrituras apresentam
instruções "contraditórias", é vital que nos recordemos que são os
mandamentos de Cristo dados ao Apóstolo Paulo, e por seu intermédio,
que devemos obedecer (I Coríntios 14:37; Filipenses 3:17; 4:9).
Nas Escrituras, enquanto os doze apóstolos estão associados
às doze tribos de Israel (Mateus 19:28), este apóstolo
singular, Paulo, está associado ao um só Corpo de Cristo
(Romanos 12:4-5; I Coríntios 10:17; 12:12-13,20; Efésios 2:16; 4:4;
Colossenses 3:15). Somente nas epístolas de Paulo encontramos
informações acerca da "igreja que é o seu Corpo" (Efésios
1:22-23) e instruções designadas primariamente para nós.
Isto não quer dizer que não necessitamos de estudar o resto da
Bíblia, pois é o próprio Paulo que nos diz que "tudo o que dantes
foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência
e consolação das Escrituras tenhamos esperança" (Romanos 15:4).
Ao vermos a fidelidade de Deus para com o Seu povo de Israel nas
outras partes das Escrituras, isso assegura-nos de que Deus será
igualmente fiel nas Suas promessas à Igreja de hoje, o Corpo de
Cristo.
3.
Devo começar a assistir à igreja.
"No primeiro dia da semana"
(I
Coríntios 16:2), os crentes devem estar na igreja, "não deixando
a nossa congregação, como é costume de alguns" (Hebreus 10:25).
Apesar de nós já sermos membros da única igreja verdadeira, o Corpo
de Cristo, Paulo escreveu a maior parte das suas epístolas a igrejas
locais
(I Coríntios 1:2; II Coríntios 1:1; I Tessalonicenses 1:1; II
Tessalonicenses 1:1) e falou sobre a igreja local
repetidas vezes (Romanos 16:1,23; I Coríntios 11:18; Filipenses
4:15). É na igreja local que as Escrituras são lidas (Colossenses
4:16) e ensinadas (I Coríntios 4:17), e homens espirituais são
designados (Atos 14:23) para darem alimento da Palavra de Deus a Seu
povo (Atos 20:28). É ali onde os líderes espirituais cuidam das
necessidades espirituais do povo de Deus (I Timóteo 3:5), que por
sua vez sustenta a obra de Deus na sua área fazendo ofertas
financeiras (I Coríntios 16:1-2). É ali que o povo de Deus
"anuncia a morte do Senhor até que Ele venha" realizando a ceia
do Senhor (I Coríntios 11:23-26). Quando o Apóstolo Tomé faltou à
reunião da igreja, ele perdeu o primeiro aparecimento do Senhor aos
Seus apóstolos após a Sua morte e sepultura (João 20:24), e por
causa disso duvidou que Ele tinha ressuscitado (v.5). Sempre que
possível o crente deve escolher uma igreja que pregue o evangelho da
salvação, e ensine a Palavra de Deus bem manejada (corretamente
dividida).
4.
Devo começar a orar.
Enquanto a Bíblia proíbe a repetição de orações
memorizadas (Mateus 6:7), nós somos muitas vezes encorajados a
simplesmente falarmos com Deus em oração como o nosso Senhor fez em
João 17:1-26. Deus encoraja-nos a "orar em todo o tempo"
(Efésios 6:18) sobre "tudo" (Filipenses 4:6), a
"perseverar na oração" (Romanos 12:12; Colossenses 4:2), e
"orar sem cessar" (I Tessalonicenses 5:17), ou seja, nunca
deixarmos de orar. Nós devemos orar pelas pessoas perdidas "para
sua salvação" (Romanos 10:1), e pelos crentes (Efésios 6:18)
para que não pequem (II Coríntios 13:7). Nós também devemos orar
pelos crentes para que eles sejam "cheios do conhecimento da sua
vontade" (Colossenses 1:9) e para que se conservem "firmes,
perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus" (Colossenses
4:12). Nós devemos orar pelos líderes políticos (I Timóteo 2:1) e
líderes espirituais (Romanos 15:30-31; II Coríntios 1:1;
Filipenses 1:19; Filemon 22) e pelos ministérios deles (Efésios
6:18-19; II Tessalonicenses 3:1).
É
importante orar "com entendimento" (I Coríntios 14:15) pois a
oração hoje funciona de modo diferente do tempo de Israel. No
passado, Elias podia orar pedindo que fogo descesse do céu (I Reis
18:36-38) e Deus concedia o seu pedido, mas hoje Ele não procede
assim. Em relação ao futuro reino do céu sobre a Terra, o Senhor
prometeu a Israel que "tudo o que pedirem na oração, crendo, o
receberão" (Mateus 21:22). Isto acontecerá deste modo porque no
reino, Israel estará cheio do Espírito e controlado por Ele
(Ezequiel 36:27) e pode-lhe ser confiada promessa tão maravilhosa.
Mas hoje nós "não sabemos o que havemos de pedir como convém"
(Romanos 8:26).
Sem o controle do Espírito, que desastre seria se as pessoas que
não sabem o que pedir como convém recebessem tudo o que pedissem em
oração! Mas apesar de não sabermos o que pedir, "sabemos
que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que
amam a Deus" (Romanos 8:28). Saber isto dar-nos-á "a paz de
Deus que excede todo o entendimento" (Filipenses 4:6-7) se
recebermos ou não o que pedimos em oração.
5.
Devo começar a comunicar o Evangelho aos outros.
A
palavra "evangelho" significa simplesmente boas notícias, e
Deus quer que todo o mundo conheça "o evangelho da graça de Deus"
(Atos 20:24). Como crentes, nós somos "embaixadores de
Cristo" (II Coríntios 5:20) e como Seus representantes aqui na
Terra, é nosso privilégio apresentá-Lo as pessoas. Comunicar aos
outros as boas notícias é uma coisa natural. Durante o cerco de
Samaria, quatro leprosos hebreus esfomeados pensaram que o exército
atacante da Síria talvez tivesse pena deles e os alimentasse, e por
isso aventuraram-se a ir até eles uma noite (II Reis 7:3-5).
Eles descobriram que o Senhor tinha afugentado o exército tão
apressadamente que eles deixaram a sua comida para trás (v.5-7). Os
leprosos comeram com muita alegria (v.8), e depois disseram, "Não
fazemos bem; este dia é dia de boas novas, e nos calamos; se
esperarmos até à luz da manhã, algum mal nos sobrevirá; por isso
agora vamos, e o anunciaremos à casa do rei" (v.9). Do mesmo
modo, agora que "já provastes que o Senhor é benigno" (I
Pedro 2:3), nós também devemos ter o desejo de comunicar "o
evangelho da [tua] salvação" (Efésios 1:13) aos outros.
Podemos recear que somos incapazes de responder às perguntas que os
outros possam fazer, mas Deus compreende que nós só podemos
"falar do que temos visto e ouvido" até agora na Sua Palavra
(Atos 4:20). Quando o Senhor curou um cego (João 9:1-7), os líderes
religiosos invejosos questionaram-no tentando desacreditá-lo
(v.13-24). Ele respondeu, "uma coisa sei, é que, havendo eu sido
cego, agora vejo" (v. 25). Como crentes recém-salvos, podemos
dizer o mesmo, espiritualmente falando. Por isso, quanto mais
estudarmos a Palavra de Deus, mais estaremos "sempre preparados
para responder com mansidão e temor a qualquer que [nos] pedir a
razão da esperança que há em [nós]" (I Pedro 3:15).
6.
Devo começar a contribuir financeiramente para a obra do Senhor.
A
obra do ministério é realizada por muitos homens que "abdicaram
de trabalhar" no trabalho secular, mas que têm o direito de
comer, beber e sustentar a sua família como qualquer outro (I
Coríntios 9:4-10). Portanto, se tiramos
proveito
das
"coisas espirituais" que eles nos ensinam, Deus pede-nos que
lhes ministremos nas coisas materiais (v.11) de modo que eles nos
possam continuar a ministrar a Palavra de Deus, e a alcançarem
outros, com fundos suficientes para realizar a obra do ministério.
Sob a Lei de Moisés, foi exigido a Israel que "dizimasse", isto é,
que desse um décimo dos seus rendimentos ao Senhor para a manutenção
dos seus sacerdotes (Levítico 27:30-32; Números 18:24). O dízimo era
obrigatório, e eles "roubavam" a Deus quando o retinham (Malaquias
3:8-9). Visto que sob a Lei Deus abençoava Israel quando eles Lhe
obedeciam e amaldiçoava-os quando não o faziam, Deus desafiou Israel
a "Trazer todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja
mantimento na minha casa, e depois FAZEI PROVA de mim nisto, diz o
Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não
derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente
para a recolherdes" (v.10). Mas sob a graça, Deus já nos abriu
as janelas do céu e nos abençoou "com todas as bênçãos
espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Efésios 1:3). Por
isso Paulo desafiou os coríntios para provarem "a sinceridade [do
seu] amor" (II Coríntios 8:8) respondendo à Sua graça
financeiramente. Consegue entender a diferença? Deus disse a Israel
para O provarem com a sua obediência para verem se Ele não os
abençoaria como resposta. Mas hoje, Deus prova-nos a nós
abençoando-nos adiantadamente, pedindo-nos depois para sermos
doadores obedientes para a Sua obra.
Portanto, ao contrário de Israel, nós não devemos dar "por
necessidade" (II Coríntios 9:7), não devemos ser mandados
dizimar, mas antes sermos instruídos a dar "conforme a sua
prosperidade" (I Coríntios 16:2). Alguns não têm os meios para
dizimar, outros podem dar mais do que dez por cento, mas todos devem
dar com um coração agradecido por tudo o que Ele fez por nós em
Cristo.
Apesar de haver muitas "causas" cristãs que merecem o nosso apoio,
Deus "quer que todos os homens se salvem, e venham ao
conhecimento da verdade." (I Timóteo 2:3-4), e Ele quer
"demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério"
(Efésios 3:9). Portanto, devemos tomar cuidado em apoiar
financeiramente apenas as igrejas e organizações que pregam o
Evangelho e ensinam a Palavra de Deus bem manejada [corretamente
dividida] (II Timóteo 2:15).
Como
devo lidar com o pecado,
agora que eu creio?
1. Não
com a Lei (os Dez Mandamentos).
É
natural pensarmos que apesar de sermos salvos pela graça, por meio
da fé, sem a Lei (Romanos 3:28) necessitamos depois dos Dez
Mandamentos para nos ajudar a sermos bons. Todavia, esse não é o
propósito da Lei. "A lei não é feita para o justo" (I Timóteo
1:9), mas para os incrédulos (v.9-10), para lhes transmitir "o
conhecimento do pecado" (Romanos 3:20), para ensinar-lhes que
são pecadores e que necessitam de um Salvador. A Lei cumpre isto ao
tornar o pecado pior. Por causa da nossa natureza humana
decaída, os homens querem naturalmente fazer o que lhes é dito para
não fazerem. Placas de aviso que dizem, "Tinta Fresca, Não
Toque", geralmente só convidam à transgressão. É por isso que Paulo
diz que "a força do pecado é a lei." (I Coríntios 15:56). A
Lei impulsiona o pecado (Romanos 7:5) e revive-o
(Romanos 7:9). Deus não deu a Lei para tornar o pecado melhor, mas
para torná-lo pior: "pelo mandamento o pecado se fizesse
excessivamente maligno" (Romanos 7:13).
Porque Deus queria tornar o pecado pior? Para mostrar aos incrédulos
a sua necessidade de um Salvador: "a lei nos serviu de aio, para
nos conduzir a Cristo" (Gálatas 3:24). O Senhor avisou os
líderes religiosos dos Seus dias que "os publicanos e as
meretrizes entram adiante [deles] no reino de Deus" (Mateus
21:31) porque os publicanos e as meretrizes sabiam que necessitavam
de um Salvador, ao contrário dos líderes religiosos que se
consideravam suficientemente bons para serem salvos pelas suas
próprias obras.
A
Lei foi dada "para que... todo o mundo seja condenável diante de
Deus" (Romanos 3:19). Ela condena todo o ser humano
porque exige 100% de obediência em 100% do tempo (Tiago
2:9-10). Paulo diz, "Maldito todo aquele que não PERMANECER em
TODAS as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las"
(Gálatas 3:10). Não se pode obedecer completamente à Lei antes
de ser salvo, e foi assim que ela nos ensinou que temos a
necessidade de um Salvador.
Mas agora que você crê, você ainda é incapaz de
obedecer perfeitamente à Lei. Portanto, se tentar eliminar o pecado
da sua vida usando a Lei, ficará frustrado, será derrotado e
experimentará a espécie de auto-condenação que até o Apóstolo Paulo
sentiu quando tentou usar a Lei para lidar com o pecado (Romanos
7:15-25).
O pecado "enganou" Paulo quando ele pensou que a Lei era algo
que ele podia usar para combater o pecado (Romanos 7:11). Isto
trata-se de um erro natural que muitos crentes cometem. Visto que a
Lei "é santa, e justa, e boa" (Romanos 7:12), parece
ser uma boa ferramenta para ser usada ao tratar o pecado. Contudo, a
gasolina é um líquido, e parece algo que pode ser usado para
extinguir um fogo. Mas como sabemos, a gasolina só torna o fogo
pior, e como vimos, a Lei só torna o pecado pior. Como a Lei
torna o pecado pior? Alguém já lhe disse, "Não tente pensar em
elefantes cor-de-rosa"? Um minuto antes, elefantes cor-de-rosa eram
a coisa mais distante da sua mente, mas agora uma lei colocou-os em
primeiro plano.
Portanto, se passar o dia pensando, "Eu não vou pensar em elefantes
cor-de-rosa, eu não vou pensar em elefantes cor-de-rosa", esta lei
mantém o pensamento proibido no palco central da sua mente,
que lhe leva a pecar devido à nossa natureza pecaminosa decaída.
O modo como você lida com o roubo, por exemplo, não é passar o dia
recitando a lei de Deus na sua mente, "Não furtarás." Isso só
manterá o furto no
primeiro plano
da sua mente, e como Paulo diz, "a inclinação da carne é morte"
(Romanos 8:6). Pensar no pecado apenas leva ao pecado, e "se
viverdes segundo a carne, morrereis" (Romanos 8:13). Apesar de
não ser possível perder a sua salvação, o pecado terá um efeito
enfraquecedor na sua vida espiritual. Mas se a Lei não é a forma
de lidarmos com o pecado nas nossas vidas, qual é o caminho?
2.
Trata o pecado com o Espírito.
O
modo de tratar o pecado não é concentrando-se numa lei que o proíba,
mas desviar a sua mente e pensar nas coisas espirituais do Espírito.
A inclinação da carne é morte, como vimos, "mas a inclinação do
Espírito é vida e paz”, como o versículo continua a dizer
(Romanos 8:6).
Pensar no pecado só enfraquecerá a sua vida espiritual, mas pensar
nas coisas espirituais apenas a
estimulará
(Colosensses 3:1-2).
É por isso que Paulo diz, "se pelo Espírito mortificardes as
obras do corpo, vivereis" (Romanos 8:13). É o Espírito e a
concentração nas coisas espirituais que nos ajudam a tratar o
pecado, não a Lei.
Isto explica porque depois de falarmos de coisas que são
"verdadeiras... honestas... justas... puras..." e "de boa
fama" Paulo exorta-nos a "nisso [pensar]" (Filipenses
4:8). Ao trapezista costuma-se dizer, "Não olhe para baixo" porque
temos a tendência de seguirmos na direção que olhamos. Diz-se que é
proibido andar a pé nas auto-estradas porque os motoristas podem
olhar para os pedestres e temos a tendência de conduzir o carro para
onde estamos olhando. Semelhantemente, a forma de afastar-se do
pecado não é concentrar-se numa lei que o condena, mas concentrar-se
antes nas coisas espirituais, para conduzir a sua vida na direção
delas. Isto é tão importante que Paulo chega até ao ponto de nos
desafiar constantemente para levarmos "cativo todo o entendimento
à obediência de Cristo" (II Coríntios 10:5).
Com isto em mente, não é de se surpreender que Gálatas
5:16 diz, "andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência
da carne." Nota que Paulo não diz que se andarmos nono
Espírito nós não teremos concupiscências da carne, mas que
não cumpriremos ou satisfaremos as concupiscências da
carne na medida em que andarmos no Espírito.
3.
Força a saída do pecado na sua vida.
Ao
aprender a andar no Espírito, uma coisa maravilhosa acontece:
descobrirá que você tem cada vez menos tempo para pecar. Quando
Paulo diz, "não deis lugar ao diabo" (Efésios 4:27), ele quer
dizer que não devemos dar a Satanás qualquer espaço nas
nossas vidas. Em resumo, o modo de forçar a saída do pecado
na sua vida é enchê-la com as coisas do Senhor.
Nem mesmo Satanás pode acrescentar uma única coisa a uma vida que já
esteja cheia das coisas de Deus. Este princípio da graça
operará onde a Lei falha. A Lei diz, "Não dirás falso testemunho"
(Êxodo 20:16), mas não diz aos mentirosos como podem parar de
mentir. No entanto Paulo diz, "Por isso deixai a mentira, e falai
a verdade cada um com o seu próximo" (Efésios 4:25). O modo de
lidarmos com a mentira é concentrarmo-nos em dizer a verdade.
Semelhantemente, a Lei diz, "Não furtarás" (Êxodo 20:15), mas
não oferece nenhum conselho aos ladrões quanto a como deixarem de
roubar. Mas a graça proporciona a vitória com o mandamento que diz,
"Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com
as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver
necessidade" (Efésios 4:28). O modo de deixar de roubar os
outros é começar a trabalhar e dar aos outros.
4.
Anda de modo digno daquilo que Deus fez de você em Cristo.
Paulo chama de "santos" os crentes
(Efésios 1:1), depois roga-nos que "[andemos] como é digno"
desta vocação elevada e santa (Efésios 4:1). Ele ensina-nos que
"Cristo está em [nós]" (Romanos 8:10), depois ora "para que
[possamos] andar dignamente diante do Senhor" que está em nós (Colossenses
1:10). Ele diz-nos que nós estamos "santificados em Cristo
Jesus" (I Coríntios 1:2), mas mais tarde insiste "que cada
um... saiba possuir o seu vaso em santificação e honra" (I
Tessalonicenses 4:4). Ele declara sem rodeios que nós somos
"santos" aos olhos de Deus (I Tessalonicenses 5:27), depois
desafia-nos a "[aperfeiçoarmos] a santificação" (II Coríntios
7:1). Ele "glorificou [nos]" (Romanos 8:30) ao tornar-nos
parte do "reino do Filho do seu amor" (Colossenses
1:13), e agora pede-nos "que [nos conduzamos] dignamente para com
Deus, que [nos] chama para o seu reino e glória" (I
Tessalonicenses 2:12).
5.
Vive como Deus o vê.
Paulo ensina-nos que aos olhos de Deus nós "estamos mortos para o
pecado" (Romanos 6:2). Ele depois desafia-nos a
"[considerarmo-nos] como mortos para o pecado" (v. 11). Usando a
imagem do fermento como símbolo do pecado e "maldade" (I
Coríntios 5:8), Paulo instrui-nos a "[alimparmo-nos], pois, do
fermento velho... assim como ESTAIS sem fermento" (v.7). Em
resumo, a graça ensina-nos simplesmente a reconhecermos o que somos
em Cristo, e depois a sermos a pessoa santa que Deus nos fez ser.
6.
Ajusta o seu estado à sua posição.
Como crentes, muitas vezes, há uma diferença entre a nossa
posição eterna em Cristo e o nosso estado atual, entre a
nossa posição em Cristo e a nossa prática diária. A
nossa posição diante de Deus é o de perfeição impecável, mas
ninguém pode rebater que o nosso estado diário é menos do que
perfeito. A nossa posição diante de Deus é de "AGRADÁVEIS a si
no Amado" (Efésios 1:6), e portanto devemos viver as nossas
vidas de uma forma que "[aprovemos] o que é AGRADÁVEL ao Senhor"
(Efésios 5:10). Quando cremos no Evangelho, "nele [fomos]
feitos justiça de Deus" (II Coríntios 5:21), e Deus agora
chama-nos a viver "neste presente século sóbria, e justa, e
piamente" (Tito 2:12).
Aqueles crentes que falham em fazer isto são "os
que
resistem"
(II
Timóteo 2:25), ou seja, vivem em oposição ao que são em Cristo.
Algumas vezes dizemos de um amigo, "Ele está agindo como se não
fosse ele mesmo." Com isto queremos dizer que ele não está agindo de
acordo com a sua personalidade. Semelhantemente, quando um crente
peca ele não está sendo ele mesmo, não está agindo de acordo com o
que Deus o tornou em Cristo.
7.
O que deve fazer quando pecar.
É claro que é inevitável que peque como crente e
"[entristeças]" o Espírito de Deus que sela a sua segurança
(Efésios 4:30). Quando isto acontece, você não precisa ser salvo
novamente, nem necessita pedir mais perdão a Deus. Nas suas cartas
às igrejas, sempre que o apóstolo Paulo menciona perdão é
sempre no pretérito, no tempo passado. Para o crente, o perdão é
"uma questão encerrada", um fato terminado.
O perdão de todos os pecados, passados, presentes e futuros, foi
algo que recebeu no momento que foi salvo. Pedir mais perdão seria
como pedir mais salvação ou mais redenção. Deve sentir tristeza
por ter entristecido o Espírito quando peca, e pode mesmo
desejar exprimir isso a Deus em oração,
não necessita de mais perdão. Quando descobre que pecou, deve
agradecer a Deus pela Sua graça e determinar a não continuar no
caminho da desobediência à Palavra de Deus.
Como
devo lidar com as adversidades e
as aflições, agora que eu creio?
1.
Reconheça que foi salvo do pecado, não do sofrimento.
Quando Adão pecou, a morte entrou no mundo (Romanos 5:12). Desde
então, o sofrimento e doença que leva à morte têm feito parte da
raça humana. Paulo diz, "sabemos que toda a criação geme e está
juntamente com dores de parto até agora." E também sabemos que
os crentes não estão isentos do sofrimento porque Paulo acrescenta,
"E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do
Espírito, também gememos em nós mesmos" (Romanos 8:23). A
adversidade também é parte da vida cristã, doutro modo Paulo não nos
teria exortado a termos "paciência e fé, em todas as vossas
perseguições e aflições que suportais" (II Tessalonicenses 1:4).
2.
Não duvide do amor de Deus.
Quando estamos doentes, feridos ou sofrendo, quando
sofremos um trauma emocional ou revés financeiro, há uma tendência
de se questionar o amor de Deus. "Se Deus me ama, porque estou
doente?", ou, "Se Deus me ama, porque isto aconteceu?" A resposta de
Deus encontra-se em Romanos 5:8: "Deus prova o seu amor para
conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores."
Para determinarmos o amor de Deus por nós, não devemos olhar
para as nossas circunstâncias na vida, mas devemos olhar antes para
a Cruz. No Calvário Ele demonstrou o Seu amor por nós quando nos
salvou dos nossos pecados e da condenação do inferno. Após o
Calvário, o Seu amor por nós nunca pode ser questionado.
3.
Aprenda a valorizar as adversidades desta vida.
Um
dia "a bem-aventurada esperança" do Arrebatamento (Tito 2:13)
porá um fim a todas as nossas tribulações, e assim "nos gloriamos
na esperança da glória de Deus" (Romanos 5:2). Mas nesse
meio tempo,
Paulo diz que podemos "nos [gloriar] nas tribulações; sabendo que
a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a
experiência a esperança" (Romanos 5:3-4). Nós podemos
gloriar-nos na tribulação visto que sabemos que ela opera para
nós, não contra nós. Opera infundindo em nós estas qualidades
desejáveis na vida, e recompensas no futuro.
4.
Aprenda a valorizar as adversidades na vida vindoura.
A
tribulação não opera apenas coisas boas para nós nesta vida, opera
coisas boas na vida vindoura. Paulo diz que "a nossa leve e
momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui
excelente" (II Coríntios 4:17). É por isso que Deus, apesar de
poder ter-nos levado para o lar celestial, no momento em que cremos,
a fim de estarmos com Ele, escolheu antes deixar-nos aqui para O
servir. Mas visto que deixar-nos aqui nos expõe às doenças,
dificuldades e
mágoas,
Deus promete recompensar ricamente o sofrimento que
padecemos. Se for perguntado quão ricamente seremos
recompensados, basta dizer que "as aflições deste tempo presente
não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada"
(Romanos 8:18). Deus promete, neste versículo, recompensar
abundantemente toda a aflição que enfrentamos ao representá-Lo aqui
na Terra como "embaixadores da parte de Cristo" (II Coríntios
5:20).
O
que o futuro me reserva,
agora que eu creio?
1.
A
morte pode levá-lo à presença do Senhor.
Quando morrermos, o nosso corpo volta à terra, mas a nossa alma e
espírito partem do nosso corpo (Gênesis 35:18) e "voltam a Deus"
(Eclesiastes 12:7). Paulo diz-nos que ele deseja "antes
deixar
este corpo, para habitar com o Senhor"
(II
Coríntios 5:8). Não necessitamos temer a morte, pois ele também nos
diz que "partir e estar com Cristo" é "muito melhor"
do que tudo o que já conhecemos (Filipenses 1:23).
Porém, o homem foi criado para ser uma trindade de "espírito e
alma e corpo" (I Tessalonicenses 5:23). Isto é pelo menos parte
do que Gênesis 1:26 significa quando os membros da Santa Trindade
dizem uns aos outros, "FAÇAMOS o homem à NOSSA imagem, conforme
a NOSSA semelhança." A morte separa a nossa alma e espírito do
nosso corpo, mas Deus não permitirá que continuemos para sempre
neste estado dividido. Por isso lemos que quando o nosso Senhor
voltar no Arrebatamento, "assim também aos que em Jesus dormem,
Deus os tornará a trazer com ele" (I Tessalonicenses 4:14). O
Senhor voltará com as almas dos que morreram em Cristo para serem
reunidas aos seus corpos.
Estes corpos mortos e
deteriorados
terão de ser, é claro, "transformados" (I Coríntios 15:52) e
"conforme o Seu corpo glorioso" antes de poderem ir para o
céu (Filipenses 3:20-21). Isto acontecerá "num momento, num abrir
e fechar de olhos" (I Coríntios 15:52).
2.
Você pode estar vivo quando o Arrebatamento acontecer.
Quando "o mesmo Senhor [descer] do céu com alarido" (I
Tessalonicenses 4:16) "os que morreram em Cristo ressuscitarão
primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados
juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e
assim estaremos sempre com o Senhor" (v.16-17). É óbvio que
corpos mortos e
deteriorados
têm que ser transformados antes de entrarem no céu, mas os que
estiverem "vivos para a vinda do Senhor" (I Tessalonicenses
4:15) também têm que ser transformados, pois "a carne e o sangue
não podem herdar o reino de Deus" (I Coríntios 15:50). Por isso
Paulo diz de todos os crentes no Arrebatamento que o Senhor
"transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o Seu
corpo glorioso" (Filipenses 3:20-21). Os nossos corpos serão
semelhantes ao corpo com que Ele viveu aqui na terra durante os
quarenta dias após a Sua ressurreição e antes da Sua ascensão ao céu
(Atos 1:1-3).
Este corpo foi abençoadamente reconhecível por Seus amigos e amados
(I Coríntios 15:3-7), e pôde ser até abraçado (Mateus 28:9), mas
também pôde ressurgir através de uma enorme pedra tumular e
atravessar portas fechadas (João 20:19). Será este o corpo
transformado que será dado a todo o crente.
3.
Você terá de comparecer diante do Tribunal de Cristo.
Após o Arrebatamento, "todos devemos comparecer ante o tribunal
de Cristo" (II Coríntios 5:10). Este tribunal não determinará se
vamos para o céu ou para o inferno – isso é algo que tem de ser
determinado nesta vida ao confiar-se em Cristo. Não, o
propósito deste julgamento é dar recompensas aos crentes pelo
seu serviço para com o Senhor.
Este tribunal é algumas vezes chamado de "Bema", uma vez que no
original do Novo Testamento, escrito em grego, a palavra de onde foi
traduzido tribunal em Romanos 14:10 é "bema". Esta
palavra era usada para o podium nas antigas competições
atléticas, onde o "juiz" determinava o 1º, 2º e 3º lugares, etc.,
não tendo nada a ver com a declaração de culpa ou inocência. Estas
recompensas (I Coríntios 3:8) são algumas vezes chamadas de
coroas (I Coríntios 9:25; II Timóteo 4:8) porque determinarão o
nível a que nós regeremos e reinaremos com o Senhor Jesus Cristo nos
lugares celestiais por toda a eternidade (II Timóteo 2:12). Paulo
encoraja-nos a viver as nossas vidas de tal modo que alcancemos
essas recompensas (I Coríntios 9:24).
Conclusão
Como pode ver, agora que creu, muitas coisas maravilhosas
aconteceram com você no domínio espiritual. Oramos para que este
estudo o ajude a tornar estas realidades reais, substantivas e
operativas na sua vida. Deus equipou-o completamente para lidar com
o pecado e as adversidades na sua vida, e tem um futuro brilhante à
sua frente, falando em termos de eternidade. Que Deus o abençoe no
seu esforço de "[cresceres] em tudo naquele que é a cabeça,
Cristo" (Efésios 4:15). |